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Festival Amazônia Terra Preta 2026 reúne ciência, cultura e participação social para debater os caminhos da ação climática na Amazônia

Quinta edição do evento acontece de 7 a 9 de agosto, na União dos Negros do Amapá (UNA), em Macapá, reunindo povos tradicionais, comunidades, pesquisadores, artistas, juventudes e movimentos sociais.

Por Paulo Rafael

Com o tema “A periferia sente, a periferia cobra: incidência política para ação climática”, o festival, promovido pelo Instituto Mapinguari, parte de uma constatação: os impactos da crise climática não atingem todas as pessoas da mesma forma. Enquanto ondas de calor, enchentes, insegurança alimentar e aumento do custo de vida se intensificam, são as periferias urbanas, os territórios tradicionais e as populações historicamente vulnerabilizadas que convivem com os maiores riscos. Em um ano eleitoral, o ATP propõe ampliar esse debate, aproximando clima, democracia e participação social.

Para a diretora executiva do Instituto Mapinguari, Anália Barreto, o festival busca transformar a experiência cotidiana das populações amazônicas em capacidade de incidência política. “Ao afirmar que ‘a periferia cobra’, queremos fortalecer a participação social e mostrar que as populações amazônicas precisam estar no centro das decisões sobre clima, desenvolvimento e democracia. Em um ano eleitoral, o festival convida a sociedade a cobrar compromissos concretos de quem pretende governar nossos territórios, porque quem sente os impactos também deve ter voz para construir as soluções”, explica. 

Ao longo de três dias, o público poderá participar de painéis, oficinas, feira da sociobiodiversidade e programação cultural com artistas locais, regionais e nacionais. A proposta é promover o encontro entre ciência, cultura, saberes populares e experiências dos territórios para discutir temas como adaptação climática, soberania alimentar, participação política, juventudes, sistemas alimentares, direito ao território, desenvolvimento e outros assuntos fundamentais para o presente e o futuro da Amazônia.

O Amazônia Terra Preta, no entanto, começa muito antes da abertura oficial do festival. Ao longo dos últimos meses, uma jornada formativa mobilizou jovens e comunidades em torno de debates que envolvem as questões climáticas que afetam os territórios. As reflexões construídas nesse processo chegam ao festival como parte de uma agenda coletiva que busca fortalecer e ampliar o debate público sobre os desafios e as soluções para a região.

Para Anália, a expectativa é que o festival fortaleça o sentimento de pertencimento e amplie a capacidade de incidência política dos participantes. “Queremos que as pessoas compreendam que enfrentar a crise climática também significa fortalecer a democracia, ocupar os espaços de decisão e cobrar políticas públicas comprometidas com a realidade dos territórios. A Amazônia produz conhecimento, cultura, soluções e lideranças. O festival existe para fortalecer essas vozes e reafirmar que as respostas para a crise climática precisam ser construídas com quem vive, cuida e resiste diariamente na região.”

A programação completa do Festival Amazônia Terra Preta 2026 está disponível abaixo.

PROGRAMAÇÃO CULTURAL (09 de agosto, a partir das 18h):

GRUPO BATUQUE DE AJUDANTE

DJ LIZ

MANGARATAIA REGGAE

BELL BRANDÃO

NARÉ

TASHA E TRACIE

PAINÉIS:

DataHorárioPainel
07 de agosto de 202609h00Climão na baixada: participação social e enfrentamento ao racismo ambiental
07 de agosto de 202610h45Perdas e Danos no Bailique: reparação, voto e o futuro de quem vive na beira dos rios
07 de agosto de 202615h00Desenvolvimento ou Dependência? Petróleo, eleições e futuro territorial na Foz do Amazonas
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08 de agosto de 202609h00Meu pirão de açaí em risco: políticas climáticas para soberania alimentar
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