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Evento, que aconteceu em Pernambuco, proporcionou uma imersão em experiências de adaptação no semiárido brasileiro.
Por Joyce Batista
O Instituto Mapinguari marcou presença na Caatinga Climate Week 2026, iniciativa que busca centralizar os territórios e seus saberes no debate climático global, além de fortalecer o intercâmbio entre comunidades, movimentos sociais, pesquisadores, organizações e agentes públicos. O evento, realizado entre 1 e 3 de julho, é uma realização do Centro Sabiá e do Instituto Socioambiental (ISA) em Pernambuco.
Essa participação é uma continuidade à estratégia de consolidação da agenda climática construída a partir dos territórios e das experiências dos povos tradicionais. Nesse contexto, o Amapá possui uma posição particular; com 73% de seu território coberto por áreas protegidas, o estado é um lugar estratégico para a replicabilidade de experiências como o uso de sementes crioulas e estratégias de reutilização da água, experiências já consolidadas na Caatinga.
A instituição amapaense integrou as atividades com o objetivo de troca de experiências e diálogo entre atuações na Amazônia e na Caatinga – biomas distintos, mas que enfrentam desafios semelhantes -, além de se inspirar em soluções já desenvolvidas na região e buscar a construção de respostas nacionais às mudanças climáticas.
Durante a programação, a diretora executiva Anália Barreto compôs o painel “Sementes crioulas: agrobiodiversidade e soberania alimentar”, compartilhando o trabalho desenvolvido pelo Mapinguari em torno da agroecologia, dos sistemas alimentares territoriais e da incidência política.

“Mais do que apresentar experiências amazônicas, o Instituto participa desse encontro para estabelecer um intercâmbio entre biomas. A proposta é compreender como diferentes povos têm respondido às mudanças do clima, identificar pontos de convergência entre Amazônia e Caatinga e fortalecer uma agenda nacional de adaptação construída a partir dos territórios, e não apenas das políticas formuladas nos grandes centros”, afirma Anália Barreto.
O diretor técnico do Instituto Mapinguari, Yuri Silva, explica que esse intercâmbio dialoga com a atuação da organização no Amapá, contribuindo para o aperfeiçoamento de iniciativas e inspiração para novas soluções que atendam às necessidades dos territórios amapaenses, ao mesmo tempo que considera os desafios nacionais frente à crise climática.

“Apesar das diferenças entre a Amazônia e a Caatinga, especialmente na relação com as águas, as experiências que as comunidades, as populações caatingueiras estão construindo, inventando, implementando nos territórios, elas têm muito potencial de beneficiar e mudar a vida das comunidades amazônicas também, principalmente no sentido de reutilização da água, porque cada vez mais a Amazônia tem enfrentado estiagens mais fortes”, frisa Yuri.
