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O Instituto Mapinguari se prepara em mais um ano para participar da 28ª Conferência das Partes, COP 28, que ocorrerá entre os dias 30 de novembro a 12 de dezembro em Dubai nos Emirados Árabes. A conferência reunirá líderes globais, tomadores de decisões, sociedade civil organizada e movimentos sociais para debater metas e ambições para o enfrentamento à crise climática.
São esperadas ao menos 2,4 mil pessoas na delegação brasileira participando da COP 28, que trará como principais debates três temas: o Balanço Global (Global Stocktake) que trata sobre o progresso na implementação do Acordo de Paris; a adaptação climática, visando fortalecer as respostas a eventos extremos como secas, queimadas, inundações e transição justa de forma transversal no setor energético, econômico e alimentar.
De acordo com Yuri Silva, diretor técnico no Mapinguari, os modelos econômicos adotados globalmente são altamente concentradores, resultando na centralização da renda nas mãos de poucos indivíduos e na vulnerabilização de muitas pessoas. Adicionalmente, esse modelo propicia a exploração e poluição ambiental. Surge, então, o conceito de transição justa na nossa interação com o planeta, especialmente no contexto da justiça climática e social, como uma resposta contrária a esse padrão econômico.
“A transição justa é cobrar e propor mudanças aos governos e que essas mudanças sejam justas para a população geral. A gente não pode, por exemplo, seguir um modelo energético que coloca as pessoas em mais vulnerabilidade ainda. Que explora os recursos naturais, explora um território e coloca as populações daquelas localidades em uma situação de vulnerabilidade”, comenta.
Um ponto crucial em foco na COP 28 é o papel do Brasil na questão das emissões de gases do efeito estufa pelo uso da terra, dada sua posição como um dos principais produtores globais de commodities agropecuárias e sua alta taxa de desmatamento. A urgência de mitigação e adaptação na agricultura é enfatizada pelo Instituto Mapinguari este ano na convenção em Dubai.
Yuri chama a atenção para a realidade do Brasil, onde as mudanças no uso do solo, inclusive as provocadas pela agricultura, pela pecuária e pelo desmatamento, vem contribuindo para o agravamento da crise climática. Necessário pensar em formas de adaptação dos sistemas alimentares tanto para garantir um sistema produtivo menos agressivo ao ambiente, mas também para a produção de alimentos de verdade, nutritivos e saudáveis.
“Quando a gente fala de adaptar os nossos sistemas alimentares, especialmente dos pequenos agricultores que produzem alimentos que estão na nossa mesa, a gente fala especialmente de agroecologia. A agroecologia é um movimento essencial para promover a resiliência climática que a gente precisa para garantir a produção e diversidade de alimentos, garantir a alimentação nutritiva, saudável e de baixo custo para a nossa população”, diz o ativista socioambiental.
Para o Instituto Mapinguari, a COP 28 é uma grande oportunidade de incidir, dialogar e articular com outros parceiros. Buscando fortalecer esse movimento de adaptação e transição mundial, mas especialmente na Amazônia. Além de poder traçar caminhos mais sólidos em articulação com organizações de outros estados e outros países rumo à COP 30 que deve acontecer em Belém do Pará em 2025.
Espera-se que a conferência possa promover maior inclusão de diversos atores da sociedade nas decisões climáticas, incluindo comunidades tradicionais e ONGs amazônidas, indicando solução para o clima e cobrando mais ambição e compromisso dos países.
Assessoria de Comunicação: Thales Lima – [email protected] – +55 96 98145-0921
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